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porDaniela Ramalho

Você sabe o que são grãos germinados e quais seus benefícios para a nossa saúde?

           Os grãos são alimentos de fácil acesso, consumidos no mundo todo. Eles têm uma boa composição nutricional, porém, quando germinados, sua estrutura é modificada, melhorando ainda mais a qualidade nutricional do alimento. Podemos dizer que sementes germinadas são despertadas e passam a ter seu poder nutricional potencializado. Há alteração nos macronutrientes (lipídios, proteínas e carboidratos), redução na quantidade de fitatos (que são usados pela semente para que não se deteriore, mas atrapalham a absorção de alguns nutrientes como potássio, ferro, zinco, cálcio, magnésio, cobre e manganês), melhorando sua biodisponibilidade, aumento na concentração de vitaminas do complexo B, entre outras.

Alguns exemplos de benefícios dos germinados:

  • No trigo germinado, por exemplo, há um aumento na degradação de gliadina, sendo uma boa opção para o consumo do trigo em indivíduos intolerantes.
  • Foi observado aumento na concentração de compostos bioativos como quercetina, genisteína e kaempferol através da germinação de feijão preto por 4 dias. Esses compostos estão associados a muitos benefícios no organismo.
  • Foi demonstrado também um aumento na capacidade antioxidante de brássicas (brócolis, couve-flor, repolho, couve, acelga) após a germinação, importante para diminuir as concentrações de radicais livres no organismo.

Essas alterações na composição dos grãos através da germinação estão associadas à prevenção de algumas doenças:

  1. Diabetes: Estudos mostram benefícios no controle glicêmico, pela melhora na resistência insulínica e pela modulação dos níveis plasmáticos de adipocitocinas (substâncias inflamatórias no nosso organismo).
  2. Dislipidemia: melhora no perfil lipídico devido à ação das fibras solúveis – diminuição de LDL e aumento de HDL.
  3. Controle de inflamação, diminuição de radicais livre devido ao aumento de compostos bioativos.

 Na prática, como fazer a germinação dos grãos?

A germinação começa com a absorção de água pela semente. A partir daí muitos fatores internos (enzimas, hormônios) e fatores externos (água, luz, temperatura) influenciam, caracterizando o processo de germinação.

Exemplos de sementes a germinar: abóbora, quinua, leguminosas, centeio, linhaça, girassol, etc..

Etapas para uma correta germinação:

  1. As sementes devem ser escolhidas com critério: íntegras, com pele, sem manchas e de preferência, orgânicas.
  2. Separe potes de vidro e coloque as sementes em água filtrada. As que flutuarem, devem ser descartadas.
  3. Deixar de molho em geladeira, cobertas com água, no pote de vidro tampado por 8 a 12 horas.
  4. Após esse tempo, colocar um voal preso ao vidro, despreze a água e lave as sementes em água corrente.
  5. Incline o vidro e coloque em um escorredor em local fresco, na sombra ou dentro da geladeira.
  6. Enxague as sementes pela manhã e à noite. Se estiver calor, lavar no meio da manhã e meio da tarde também.

Segue uma tabela de germinação para ajudar:

Tipo de semente Tempo de imersão em água Horas escorrendo fora d’água Coar?
Girassol 8 horas 24 horas Sim
Linhaça 4 horas 4 horas Não
Gergelim 8 horas 8 horas Sim
Amêndoa 8 horas –  Sim
Sementes de hortaliças (couve, rúcula, alface, acelga, pepino, almeirão, beterraba) 12 horas 48 horas Sim

Elas podem ser consumidas em saladas, suco verde, como finalização de pratos como risotos e massas.

porDaniela Ramalho

Nutrição e TDAH

O TDAH (Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade), é um distúrbio neurofisiológico com sinais de falta de atenção, dificuldade de concentração e impulsividade que prejudica a aprendizagem e memorização em crianças e adolescentes. Na fase adulta, carregam o TDAH “residual”, com sintomas como: dificuldade de concentração, superexcitação emocional, impulsividade, porém de forma mais branda.

O estilo de vida e hábitos alimentares estão intimamente ligados à esse distúrbio, tais como:

– Sono: com a rotina acelerada dos pais, o sono das crianças acaba ficando prejudicado, e com isso a capacidade de memorização das crianças pode diminuir, já que é durante o sono que assimilamos grande parte do aprendizado ao longo do dia.

– Cada vez mais as telas fazem parte do cenário infantil, contribuindo para a ansiedade. Com isso, a interação e o brincar, tem ficado um pouco de fora. As brincadeiras, que requerem muita energia, são importantes e agradáveis à essas crianças, pois elas conseguem vencer suas angústias.

– Atividade física: extremamente necessária e associada à melhora dos sintomas.

– Alto consumo de alimentos industrializados: contêm aditivos químicos, como conservantes, flavorizantes, açúcares, corantes e adoçantes que causam reações tóxicas no organismo, levando à alterações comportamentais. Nosso cérebro é formado de gorduras que são sensíveis à essas toxinas. Elas danificam os neurônios e atrapalham a transmissão de informações, o que percebemos, por exemplo, na dificuldade de aprendizagem.

– Agrotóxicos: estão associados à piora da hiperatividade mental e aumento do risco de doenças como Alzheimer e Parkinson na vida adulta.

– Microbiota intestinal: o intestino tem uma relação muito íntima com o sistema nervoso central. Um estudo mostrou que crianças com TDAH, por exemplo, tinham menor quantidade de um tipo de bactéria (Faecalibacterium) e que o aumento dessa bactéria, estava associado com melhora dos sintomas do TDAH. Além disse, os nutrientes vindos da alimentação só serão absorvidos se esse intestino for saudável. Ter um intestino regulado é essencial para uma boa saúde mental como um todo.

Estratégias nutricionais para crianças com TDAH:

– Peixes fontes de ômega 3 (sardinha, pescadinha) – ajuda a proteger as estruturas celulares e na transmissão das informações. Cuidados com os peixes que contem metais pesados, como mercúrio, por exemplo e acabam sendo tóxicos.

– Vegetais, pois fornecem vitaminas e minerais, que protegem o cérebro contra a ação dessas toxinas e ajudam na manutenção da integridade celular, melhorando memória e concentração.

– Ovos (orgânicos e caipiras de preferência): tem grande quantidade de gorduras boas e contem colina (gema), que é essencial para a saúde cerebral.

-Alimentos de origem orgânica: os agrotóxicos e fertilizantes químicos são neurotoxinas. Além disso, a quantidade de nutrientes desses alimentos é superior quando comparado aos alimentos convencionais.

– Suplementos como magnésio, zinco, L-teanina, L-carnitina, fosfatidilcolina, vitamina D e ômega 3 são nutrientes descritos em literaturas como associados à melhora dos sintomas e devem ser utilizados em doses individualizadas com o acompanhamento de nutricionista ou médico.

Resumindo: sono regulado + comida de verdade + atividade física + diminuição de telas + brincadeiras = sistema nervoso mais saudável

É interessante fazer um diário, anotando as atividades e a alimentação da criança dia a dia e como ela ficou após cada estratégia.

porDaniela Ramalho

Nutrição funcional: o que é?

Hoje em dia, temos visto crescer na mídia alguns termos relacionados à nutrição como se ela fosse segmentada. Na verdade, a nutrição é uma ciência única, com diferentes abordagens.

Na nutrição funcional, o objetivo é olhar o indivíduo como um todo levando em consideração informações do código genético somado ao estilo de vida, que é capaz de interferir nesses genes e modificar toda uma resposta metabólica.

A avaliação do indivíduo engloba informações de várias etapas desde o início da vida. Esses dados auxiliam na busca pela causa do problema relatado. De acordo com o que é dito, é possível fazer uma associação com deficiências de micronutrientes (vitaminas e minerais) por exemplo, que podem ser dosados, e que, uma vez repostos dada a necessidade, alteram algumas funções metabólicas e reorganizam o indivíduo. Um outro exemplo de avaliação que pode ser realizada é a associação do consumo de alguns alimentos com hipersensibilidades (alergias tardias), entre outros. Dessa forma, trabalha-se tanto na prevenção quanto no tratamento das patologias.

Tratar um SINTOMA, não significa resolver o problema. Resolver o problema significa não TER mais a CAUSA do problema.

Na consulta, é utilizada como ferramenta, a Teia da Nutrição Funcional (figura abaixo) que nos permite ter uma visão ampla do que está acontecendo com o indivíduo. Preenchemos cada ponto levando em consideração os antecedentes, gatilhos e mediadores, escolhendo alguns sistemas para iniciarmos a conduta.

Mas o que seria isso?

Os antecedentes são informações da história de vida do paciente como tipo de parto, intercorrências nos primeiros anos de vida, como foi a introdução alimentar, hábitos alimentares e de vida, história de doenças na família, entre outras.

Os gatilhos são os fatores que desencadearam o problema que o indivíduo relata. Pode ser causa emocional, estresse, doença viral ou bacteriana, etc. Eles podem ser capazes de ativar determinados genes, modificando a resposta metabólica.

Os mediadores são as substâncias geradas a partir dos gatilhos que efetivamente levam aos sintomas. Podem ser hormônios, radicais livres, entre outros.

Levando todas essas questões em consideração é estipulado um plano alimentar visando correções nesses sistemas. Os alimentos são escolhidos de acordo com os componentes bioativos e micronutrientes específicos para cada caso. Há uma preocupação com macronutrientes, mas o que direciona o plano alimentar não são as calorias, e sim, os alimentos que, por conta de sua composição, terão uma melhor resposta metabólica para aquela situação.

Para a correção de hábitos alimentares muitas técnicas podem ser utilizadas de acordo com o perfil de cada um. Ter atenção plena no momento da alimentação é fundamental para perceber os sinais que o corpo envia frente a cada alimento ingerido. Essa é uma prática que vem se perdendo ao longo do tempo. Hoje em dia, a maioria das pessoas se alimentam muito rápido, muitas vezes na companhia do celular, perdendo o foco do que é realmente importante nesse momento. Portanto, somente a entrega do plano alimentar não resolve o problema. A avaliação e conduta vão muito além e o impacto, por menor que seja, é imenso nos resultados.

Não existe uma solução para todos – existe uma conduta para aquele indivíduo: se trata de uma pessoa, com sentimentos, emoções, com uma história de vida e não apenas a doença.

 

porKarina Delogu

Xenobióticos: o que são e quais suas consequências no nosso organismo?

Xenobióticos e suporte nutricional aos sistemas de destoxificação.

Alguns componentes de medicamentos, produtos químicos utilizados no trabalho, aditivos alimentares ou subprodutos industriais possuem substâncias tóxicas que podem ser ingeridas, inaladas ou absorvidas pela pele.

Essas substâncias interferem no nosso metabolismo e são denominados xenobióticos (XENO=estranho; BIO=vida). Estes agentes tóxicos são componentes químicos capazes de causar danos a um sistema biológico, alterando seriamente uma função ou levando-o à morte, dependendo da exposição. Uma substância dessa, por exemplo, pode se ligar à um receptor hormonal, fazendo com que o hormônio não seja capaz de exercer sua função como deveria, pois o receptor está ocupado com outra substância. À longo prazo, estão associadas à doenças auto-imunes, dificuldades no processo reprodutivo, distúrbios endócrinos, entre outros.

Devemos também levar em consideração a carga toxica, onde a ação combinada dos diferentes compostos tóxicos no organismo é maior que a ação individual, levando à um “sinergismos entre os compostos”, causando danos ainda maiores.

O organismo tem mecanismos de biotransformação em todas suas células, ou seja, ele é capaz de transformar tais substâncias para diminuir os danos. O fígado é o principal local responsável por essa função no organismo humano. Isso se deve ao fato dele ter também como função processar os xenobióticos, inativando-os e excretando.

Para o fígado realizar a biotransformação dessas substâncias, duas fases são necessárias: fase I (transformação: diminui a toxicidade) e fase II (conjugação: responsável pela excreção).

Estudos nos permitem afirmar que o suporte nutricional tem total importância nos sistemas de destoxificação, ligada a própria bioquímica de sistema de biotransformação.

A maioria das reações de oxidação é catalisada pelo citocromo P450 (P450 ou CYP), que consiste em uma família de enzimas. Para formar o citocromo P450 vários nutrientes são necessários, como cobre, zinco, vitamina A, riboflavina, piridoxina, acido fólico e vitamina B12, além do ferro. Ao longo do processo que envolve as fases I e II, além das vitaminas e minerais citados anteriormente, alguns aminoácidos e fitoquímicos presentes nos alimentos também fazem parte do processo.

Na imagem abaixo, podemos visualizar quais são os nutrientes necessários para a realização de cada etapa.

De um modo geral, o consumo dietético de frutas e verduras é reconhecido como fundamental, por conterem componentes específicos para realização dessas etapas, levando à manutenção, prevenção e tratamento de diversos tipos de patologia não transmissíveis.

Alguns exemplos de alimentos que auxiliam são: cacau, brócolis, couve-flor, açafrão da terra, gengibre, temperos naturais que possuem uma carga alta de fitoquímicos, entre outros. Alguns chás também auxiliam muito nesse processo, porém, uma avaliação individualizada deve ser feita, pois alguns chás não são indicados em determinadas desordens.

A conservação e manutenção do organismo humano em um estado favorável a vida é conseguida através de controles, alguns destes muito sensíveis, respondendo as mínimas variações, de modo a conservar, equilibrar e regular a funcionalidade ideal do sistema biológico.

Tudo o que ingerimos tem um destino no nosso organismo. Vamos valorizar nossas escolhas alimentares diárias! Elas são cruciais para termos mais saúde! Pensem nisso!